Dicas de viagem para Paraty – RJ – Parte final

 

Dicas de viagem para Paraty – RJ – Parte final / Por Bloga Viagem – Atualizado em 12/07/2017

Boa noite pessoal, tudo certo com vocês? Espero que sim. Como prometido, hoje farei a conclusão do post que comecei na passada dando Dicas de viagem para Paraty. Então vamos ao que interessa.


Atrações:

Centro histórico de Paraty

O centro histórico de Paraty é sensacional, cheio de coisas legais para se conhecer. É uma região pequena, mais ou menos 16 quarteirões que vão do porto até a rua Abel Oliveira, uma área de 5 x 6 quarteirões. Ali você encontrará igrejas, museus, bares, restaurantes, teatro, pousadas, hotéis, cachaçarias, ufa… tem para todos os gostos. Nós demos sorte de pegar a cidade toda enfeitada para a festa de Corpus Christi, onde haviam bandeirolas e o pessoal montando o tradicional tapete por onde passa a procissão, deu um ar ainda mais colorido à cidade.

Uma particularidade que as vezes dificulta a vida no centro histórico é a água do mar que invade algumas ruas mais próximas do porto quando, alguns a chamam de “acqua alta” em referência a maré alta que invade a Praça São Marcos em Veneza, na Itália. Bom, fora o inconveniente de não poder passar, a água associada aos prédios coloridos da cidade rende ótimas fotos para quem passa por ali.

Roteiro?

Pensei em criar um roteiro para que vocês seguissem diretamente de um ponto a outro, mas pensando bem, o mais interessante é ir desbravando cada cantinho do local, a área é pequena, dá para percorrer tranquilamente, só tomem cuidado com o piso irregular e as rochas usadas como calçamento, as vezes elas ficam escorregadias.

 

Cada esquina do centro histórico rende ótimas fotos, é impressionante verificar o cuidado que alguns moradores e comerciantes dispendem em suas propriedades, ainda mais em tempos de crise. Poucos lugares turísticos são tão bem preservados como o centro histórico de Paraty.

Como falei no primeiro post sobre a cidade – consulte aqui –  Paraty era o começo, ou final, da Estrada Real – Rota do Ouro, muitos dos antigos moradores eram comerciantes e exportadores, a cidade também é conhecida pela presença forte da maçonaria, que deixou sua marca expressa  em símbolos maçônicos na fachada dos seus prédios, dá um toque ainda mais colorido e misterioso aos prédios da cidade – sem teorias da conspiração quanto a maçonaria por favor.

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Centro histórico de Paraty

Igrejas e artes

Não deixe de visitar as igrejas do centro histórico de Paraty, dentre elas, destaco a Igreja Matriz –  a Nossa Senhora dos Remédios ( aberta de segunda a sexta das 9h às 12h e das 13h às 17h30. Nos sábados, das 8h às 12h e de 13h às 16h. Entrada: R$ 3,00 ) ela fica na Praça da Matriz, há também a Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua do Comércio; outra igreja que vale a visita é a Igreja Nossa Senhora das Dores, conhecida como Capelinha. Um programa diferente é visitar a Igreja de Santa Rita é lá que funciona o Museu de arte sacra da cidade, fica no  Largo de Santa Rita.

Paraty possui vários eventos ao longo do ano, em todas as épocas você encontrará algo bom para fazer por lá. O calendário oficial de eventos da prefeitura pode ser encontrado aqui.


Trindade 

Trindade está localizada a 35km de Paraty, percurso este que você fará em aproximadamente 40 minutos, não adianta correr pois uma boa parte da estrada é bem traiçoeira, com muitas curvas, subidas e descidas.

Trindade é uma pequena vila de pescadores e está toda localizada dentro da área de proteção ambiental do Cairuçu. A vila possui restaurantes e pousadas para quem desejar se hospedar por lá, assim também como alguns campings. Todos eles com padrões muito mais simples do que o encontrado em Paraty.

As principais atrações da região são a Praia do Meio, Piscinas naturais do Cachadaço e Praia do sono, além de trilhas ecológicas que podem ser feitas na zona de mata atlântica que circula a região.

 

Praia do Meio

A praia do Meio fica a uma curta caminhada do centrinho de Trindade, 10 minutos ou menos. A praia é lindíssima, possui uma pequena estrutura com algumas barracas que além de alugar cadeiras e guarda sol, também vendem algumas coisas para os visitantes (principalmente bebidas) há ainda algumas opções mais limitadas de petiscos para comer ali mesmo na praia. Gostei bastante da praia, dá para passar o dia “de boa”.

Piscinas Naturais do Cachadaço

Da praia do meio sai a trilha que leva às piscinas naturais do Cachadaço. No outro canto da praia numa tenda comandada por uma cooperativa de barqueiros, você pode comprar o passeio para as piscinas indo de barco, o custo será de R$ 30,00 ida e volta, e o trajeto é feito em pequenos barcos com 5 passageiros, a viagem não dura mais que 10 minutos. É super tranquilo, ao comprar o passeio você ganha uma pulseira de identificação, o que te garante a volta, – se tiver ido pela trilha e quiser voltar de barco, também dá para fazer, é só entrar na fila e conversar com o barqueiro –  o passeio é super tranquilo.

Qual dos dois escolher? Depende da sua disposição em andar ou em pagar – os caras da cooperativa aceitam dinheiro e cartões.

 


Praia do Sono

Antes de iniciar a descida da serra rumo a Trindade, haverá uma bifurcação, indicando a entrada do condomínio Laranjeiras, se quiser visitar a praia do sono você deverá seguir por este caminho. O condomínio Laranjeiras é um residencial de altíssimo nível com toda infraestrutura possível e imaginável. Algumas casas possuem inclusive suas próprias áreas de embarque e desembarque para barcos. Além de heliporto ( do condomínio, não de uma casa específica), marina do condomínio (seca e molhada).

A segurança por lá é imensa. Você chega e estaciona seu carro a uns 500mts do condomínio, na vila dos pescadores. De lá você  vai numa van até a área de embarque nos barcos. Não é permitido sair e circular pelo condomínio, só se você for morador ou convidado. O embarque é feito rapidamente, geralmente há barqueiros disponíveis a qualquer hora. A passagem custa R$30,00 por pessoa/trecho. O barco te leva diretamente para a praia do sono, a viagem deve durar 15 a 20 minutos, o mar ali é maravilhoso. Avistamos peixes e tartarugas na região, tudo muito lindo. A chegada na praia do sono é a parte mais emocionante da viagem, uma dica: segure-se bem.

Esqueci de falar, existe uma trilha para aqueles corajosos que não estão muito afim de pagar pelo passeio de barco. Mas aviso, é bem puxada.

Paraíso intocado

A praia possui algumas barracas caso você queira consumir alguma coisa por lá, mas aviso novamente, o ambiente é bem rústico, não vá esperando nada rebuscado porque não há. E é mesmo bom que não haja, uma vez que esta foi uma das praias mais bonitas que visitei nos últimos tempos, lindíssima, com água verde/azul de uma tonalidade que não estamos acostumados por aqui, vale muito a pena que ela fique mesmo intocada.

A faixa de areia é bem larga, propícia para uma boa acomodação ou prática de esportes. Recomendo uma subidinha no começo da trilha em direção ao condomínio para uma visão mais ampla de toda a praia. Há por ali também uma pequena área para camping, que diga-se de passagem, no dia em que fomos estava bem cheia.

O retorno é feito também com os barqueiros que ficam esperando por clientes. Basta dar seu nome (e os R$30,00 por pessoa) e esperar sua vez de ir.



Passeio de barco

Uma super dica para quem está a passeio por Paraty é fazer um passeio de barco pela baía de Paraty. Há três opções, ou você compra um passeio de escuna, ou aluga uma traineira ou ainda aluga uma lancha rápida.

Passeios de Escuna

Você encontrará passeios de escuna sendo vendidos em profusão por toda a cidade. Os passeios devem custar em torno de R$ 60,00 a R$100,00 por pessoa, dependendo do que você tem incluído. O detalhe aqui é, como tudo que é feito para muita gente, não há charme, é linha de produção mesmo. A Escuna vai sair do porto entre 9h e 10h da manhã e vai nos principais pontos com o percurso total durando aproximadamente 5 horas. A coisa ruim é que você ali é mais um, e onde for, haverá até 60 pessoas para dividir espaço contigo.

Lancha rápida

Outra opção de passeio é para quem realmente tem disposição para gastar dinheiro  –  passeios privados em lanchas rápidas – cheguei a ver alguns por R$1.000,00 a diária (duração a combinar). Creio que com este tipo de lancha até dê para dar uma esticada até o Saco de Mamanguá. Mesmo sendo uma proposta interessante, não estava no meu orçamento.

Nossa opção

Minha super dica é optar pelo aluguel de uma traineira. Neste modelo de passeio você escolhe a hora de sair – recomendo sair antes do horário das escunas, uma vez que você ficará com as praias praticamente desertas, apenas para seu desfrute – o tempo do passeio você determina, pode até optar por ficar mais ou menos tempo num determinado lugar que gostou, ou sair mais cedo de um que não gostou. Ainda há a possibilidade de levar sua bebida e comida. Você achará os barqueiros diretamente no porto, e pode fechar com algum deles por ali mesmo.

A traineira que alugamos era do comandante Luciano, Bom Passeio, cobrava por hora R$100,00. Ele não negocia muito o valor, mas digo a todos que vale a pena. Ele foi muito simpático, além de ter um barco muito bem arrumado, com colchões e almofadas a sua disposição. A traineira dele leva até 12 pessoas, portanto, fazendo as contas e comparando com o passeio das escunas vale muito a pena. Juntando um grupo de 12 pessoas eu recomendo muito mais a traineira que as escunas. Usando o mesmo tempo de trajeto vocês estariam pagando e torno de R$41,00 pelo passeio completo. O telefone do Luciano é 24-99908-9210. Acreditem em mim, vale muito a pena optar por este passeio.

Várias paradas

Paramos na praia vermelha no começo da tarde e almoçamos por lá. O lugar era do tipo “pé na areia” mas bem estruturado.  Os restaurantes da praia vermelha possuem uma lancha que apanha os passageiros nos barcos e leva até a praia. Você não precisa se molhar para sair do barco.

Durante o nosso passeio fomos a lugares paradisíacos, como: a Praia da Lula, Praia Vermelha, Lagoa Azul além de visitar diversas ilhas da região (Ilha da Bexiga, do Mantimento, Duas Irmãs). Recomendo bastante.

Praia da Lula

Lagoa azul

Praia vermelha

 


 

Praia de São Gonçalo

Outra super dica para você passar um dia agradabilíssimo é pegar a estrada em direção ao Rio de Janeiro pela BR-101, até a praia de São Gonçalo – o percurso tem aproximadamente 32 km. Ao chegar em São Gonçalo você encontrará dois estacionamentos na margem da estrada, dali partem os passeios para as ilhas do Pelado e do Cedro.

A praia de São Gonçalo é um pouco suja, e tem a areia escura, exatamente porque ali do lado desemboca um rio de águas bem escuras, mas a praia em si não é suja. De qualquer maneira, a grande atração do local são as ilhas de frente da praia de São Gonçalo e das praias do Iriri e do Cão Morto.

Ilha do Pelado

A travessia para a ilha do Pelado é feita numa traineira contratada pelo pessoal da Barraca da Beth, você paga R$20,00 para ir e voltar, não há frequências muito regulares para a saída dos barcos, depende de demanda, se quiser sair, se programe com um pouquinho de antecedência, marque seu lugar com a dona da barraca, ela solicita o barco se não tiver nenhum por ali.

As ilhas são paradisíacas, a água é transparente de uma forma que ainda não havia visto no Brasil. Como as ilhas são abrigadas na baía, todas possuem águas extremamente calmas, o que eu acho uma delícia – há quem goste de muitas ondas, se for o seu caso, dirija-se para a praia do sono ou praia do meio.

Aproveitem na Ilha do Pelado as delícias do Bar da Beth, os preços não são nada extraordinários, batem bem com os preços do continente. Algumas pessoas levam sua bebida e comida para a ilha, mas como se trata de uma área de preservação ambiental e em respeito a quem vai lá depois de você, certifique-se de não deixar nada na ilha.

Ilha do Cedro

Depois da ilha do Pelado, alugamos um barco rápido para ir até a ilha do Cedro, onde ficamos na barraca do Nelson, o trajeto dura uns 15 minutos na lancha rápida e custou R$ 30,00 por pessoa. Tanto a barraca do Nelson quanto a da Beth na outra ilha possuem poucas cadeiras, e é para ser assim mesmo. Portanto, se quiser pegar lugar é bom chegar cedo, especialmente no verão. Nossas fotos ficaram ótimas, mas ainda não dão a dimensão real do que você vê por lá, um mix de mata e praia que eu ainda não tinha visto. Recomendo demais a visita.


 

Restaurantes

Por último, mas não menos importante, os bons restaurantes de Paraty. Durante nossa estada comemos em três restaurantes que a meu ver enquadram-se na categoria sensacional de restaurantes. Todos eles exploram as gostosuras da culinária caiçara, aliando ambiente agradável e muito bem montado com atendimento impecável. Nestes quesitos todos os três estão no mesmo nível de excelência, o que vai mudar de um para outro são os sabores.

Minhas indicações

Os preços não são exatamente populares, mas dá para fazer uma força e comer muito bem um dia ou outro, os restaurantes são:

Banana da Terra, com o destaque para os pratos de camarões e barriga de porco.
Bartholomeu, menção muito honrosa para a barriga de porco de entrada e a picanha recheada (se for pedir a picanha, saiba que é muita comida, dá para umas três pessoas comerem tranquilos).
Quintal da Letras, anexo da pousada Literária, minha esposa comeu um peixe, estilo moquequinha e eu comi uma carne, estavam deliciosos os pratos, além da sobremesa com o trio de creme brulee de sabores regionais.

Ficamos na vontade, apesar de todas as recomendações,  de comer no Thai. Um restaurante Tailandês que fica bem no centro histórico, deixamos este aqui para uma nova visita.

Banana da Terra

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Camarões e arroz negro no Banana da Terra

Bartholomeu

 

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Aperitivo barriga de porco no Bartholomeu

Considerações finais

Antes de terminar, gostaria de fazer uma menção e um agradecimento a minha esposa Bruna. Além de fazer a maioria das fotos aqui apresentadas, também abrilhanta a cena em algumas delas. Meu muito obrigado por tudo.

Pessoal, vou ficando por aqui, espero que vocês tenham gostado do relato de nossa visita a Paraty. Sugestões e comentários são sempre bem vindos. Obrigado pela visita.

Abaixo segue o mapa com os endereços de todos os pontos comentados no post.


Mapas

A parte 1 deste post também pode ser consultada aqui.