2015

Dicas de passeio pela Polônia – Visita ao Campo de concentração/extermínio de Auschwitz

Dicas de passeio pela Polônia – Visita ao Campo de concentração/extermínio de Auschwitz

Olá amigos,

Mais um post sobre um lugar seríssimo no meio de uma viagem. Assim foi nossa visita ao Campo de concentração/extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Visitamos o campo enquanto estávamos em Cracóvia. Ele fica a aproximadamente 90km de lá. Compramos o passeio por uma agência indicada pelo pessoal do nosso hotel. Nosso ponto de encontro foi perto do Castelo, portanto, não houve a necessidade de peregrinar pela cidade para apanhar turistas. A viagem é curta, cerca de 1:30hr, a estrada é de pista simples, mas estava muito bem conservada. Dá para ir de carro sem problemas.

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O campo de Auschwitz na realidade é composto por 3 campos, Auschwitz I, Auschwitz II – Birkenau e Auschwitz III – Monowitz. O campo foi montado no meio de uma área industrial da época, cheia de chaminés, fumaça e poluição. A meu ver o lugar foi escolhido a dedo, pois a fumaça das indústrias se confundiria com a do campo, além é claro, de utilizar o pessoal dos campos de concentração como mão de obra barata nas fábricas da região.

Os números deste campo são terríveis e impressionantes, estima-se que cerca de 1,3 milhão de pessoas perderam suas vidas por ali. Sejam exterminadas nas terríveis câmaras de gás de Auschwitz-Birkenau, ou de fome, doentes, executados a tiros, por trabalhos forçados ou seja lá como for. A maioria deles judeus, poloneses, soviéticos, ciganos, soldados de outras nacionalidades.

Você entra no campo pelo mesmo caminho que os prisioneiros faziam quando chegavam ali em seus vagões abarrotados de outros prisioneiros. No pátio mesmo era feita uma triagem, algumas pessoas já eram mandadas dali – as vezes separados dos seus parentes – diretamente para as câmaras de gás,com a ilusão de que estavam indo apenas se higienizar, deixavam todos os seus bens, as vezes até os cabelos. Depois de entrar na câmara de gás, era dali para os fornos para serem exterminados todos os vestígios.

Os seus bens eram triados e o que podia ser aproveitado era usado pelos nazistas. Eu falei anteriormente dos cabelos, eles eram usados pelos alemães para fazer tecido. No campo ainda há um memorial onde podem ser vistos os restos de toda essa crueldade, óculos, documentos, fotos, talheres, dentes, vasilhas, sapatos, malas de todos os tipos, e o mais chocante uma montanha de cabelos – onde não se pode fotografar. Memória de toda a crueldade que pôde ser ao menos imaginada pela cabeça do homem. Lembrança do terror supremo que para mim, serve para que nós nos vigiemos todos os dias, e nunca deixemos todas aquelas atrocidades se repetirem.

Depois do memorial visitamos o local onde um dia existiram as câmeras de gás e dos enormes fornos, hoje eles estão no chão, assim como a maioria dos blocos antigos. Após o fim da guerra os refugiados daqui e antigos moradores da cidade saquearam o campo em busca de material de construção para reconstruírem suas vidas. Existem ainda muitos blocos de pé, inclusive uma das áreas icônicas e cruéis, o velho muro onde eram feitas as execuções a tiro. Você pode visitar algumas celas e locais onde eram aplicados castigos aos prisioneiros. Algumas delas onde os prisioneiros eram colocados de forma que não conseguissem se assentar, até atingirem a exaustão.

O campo foi libertado em janeiro de 1945 pelas tropas soviéticas, em 2002 a Unesco declarou o local como patrimônio da humanidade.

Ali existe, assim como em Dachau, a cínica inscrição em metal, acima do portão de entrada, onde lê-se: Arbeit macht frei – o trabalho liberta.

Alguns amigos me perguntaram porque eu havia decidido visitar este lugar terrível, para mim foi um momento importante, de reflexão, de lamento e que serve como um lembrete para que não deixemos nunca  que novas catástrofes como essa tornem a acontecer – e pensando nas coisas que vem acontecendo na África, acho que estamos falando. Para que lutemos sempre contra atrocidades contra a humanidade. Podemos pensar que isso seria impossível nos dias de hoje, mas eu acho que não. Por mais esclarecidos que nós sejamos, tudo aquilo vivido desde os anos 30 da Alemanha nazista, assim com o apartheid na África do Sul, foi feito dentro da lei.

Pensem nisso. Seguem algumas imagens de nossa visita.

Abraços.


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